Monthly Archives: Novembro 2016

o que estou a aprender sobre ser vulnerável

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Percebi há alguns anos que a honestidade emocional era para mim a coisa mais difícil e a mais indispensável. Foi mais ao menos na mesma altura em que percebi que quando amo alguém deixo de ter o coração na caixa toráxica e passo a tê-lo nas mangas das camisolas e logo atrás dos lábios, acima da garganta. Esta descrição pode ser anatomicamente estranha, mas é assim que vomito coração e faço coração com as mãos. Não fui sempre assim. Durante anos escrevi coração, não disse, não fiz. Vivi bastante tempo em páginas, por fora nada se passava, por dentro a revolução. Consegui sair das páginas, já não sei como fiz essa transição. Existe aquela expressão inglesa: “wearing your heart on your sleeve“. Quando se tem o coração aí temos que ter mais cuidado, ao andarmos na rua podemos deixá-lo cair, se usamos uma camisola mais larga ele pode não se segurar, e então no verão, com vestidos de alças e tshirts, bom, é arriscado, talvez colocado por dentro do pulso se segure. O coração nas mangas e atrás dos lábios é uma coisa complicada. Fechar a boca às vezes não é suficiente, quando escrevemos facilmente, ou choramos com tudo, quando temos uma daquelas caras transparentes que não conseguem esconder nada nem que a nossa vida dependa disso, então sai por todos os lados. Não com toda a gente. Sou selecta nisto porque tenho dificuldade em aproximar-me das pessoas e desconfio de quase todas, embora ao mesmo tempo queira sempre ver o melhor de pessoas que me pareçam minimamente interessantes. Mas esta coisa do coração está ligada com a honestidade emocional, aquela tão difícil e sem a qual não consegui viver nenhuma relação.

Estou a tentar falar de vulnerabilidade, mas também do seu complemento essencial a auto-preservação e o cuidado connosco. Vou deixar as metáforas do coração nas mangas. Durante anos escolhi fazer-me sempre vulnerável. Ainda é essa a minha escolha. Não soube estar em nenhuma relação íntima ou de amor sem essa vulnerabilidade primeira, que me fez sempre dizer o que se passava comigo, o que sentia, o que pensava. À conta desta honestidade vulnerável vi-me realmente em situações de vulnerabilidade – aquela que é má, que nos sujeita a diferenciais de poder. Não sabia proteger-me, nem cuidar-me, simplesmente dizia-me e esperava que outros compreendessem e mostrassem empatia. Fiz todos os coming outs assim, vulnerável, acreditando que os outros veriam a coragem disso e estenderiam a mão. Levei muitos anos a perceber que há relações que não merecem a nossa vulnerabilidade – aquelas que nos abusam, que nos fragilizam, que nos cobram, que nos ameaçam. A minha casa não foi um local seguro para a minha vulnerabilidade, foi um local de batalhas em que me agarrei a essa honestidade radical como a única arma que tinha na luta. Custou-me muito perceber que vulnerabilidade com agressão é receita para desastre, com consequências que levam anos a ser processadas.

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Apesar desta experiência, consegui ficar na vulnerabilidade perante outras pessoas e relações. Percebi que quando do outro lado não está agressão, mas pessoas que nos querem bem (o problema está na dificuldade de sabermos quem nos quer bem realmente), então temos um lugar para sermos vulneráveis com amor. Abrimos espaço para nós e para as outras pessoas. O poder da vulnerabilidade é que ela tem a capacidade incrível de trazer mais vulnerabilidade do outro lado. Se é num contexto de amor e respeito, a minha vulnerabilidade abre espaço à tua e abre espaço à nossa e juntas abrimos espaço a mais vulnerabilidades. Comecei a levar essa vulnerabilidade comigo para o activismo, lembrei-me de como ela já tinha sido arma para mim e usei-a de novo como arma, desta vez não para me defender de ataques, mas para me criar como activista e para abrir espaços. Percebi que para mim falar sempre a partir do pessoal me levava a essa honestidade e que não conseguia expurgar as minhas emoções desse relato. Então, perante pessoas estranhas e conhecidas, mas não próximas, decidi que não ia retirar as emoções. Sempre que falei sobre ser poly, falei das minhas emoções. Sempre que respondi a perguntas, respondi sem filtrar as emoções. As emoções passaram para o centro do meu activismo e de todas as minhas intervenções. Isto, claro, colocou-me numa posição frágil: falar de sentimentos perante uma plateia desconhecida não é seguro. Usar os sentimentos em interacções activistas não é algo seguro, como percebi da pior maneira possível quando tive “activistas” a dizerem-me que os espaços de activismo não são suposto serem espaços seguros e quando vi a minha confiança traída nestes espaços e interacções. Mais uma vez tive que perceber que a vulnerabilidade unilateral é perigosa, assim como a vulnerabilidade fora de espaços que não se constróiem feministas e seguros. Percebi também que às vezes mesmo sendo feministas e supostamente seguros não o são. Não temos uma cultura de vulnerabilidade nem de honestidade nos nossos activismos. E por isso, aquelas de nós que usam de vulnerabilidade estão em risco.

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Custa muito sermos vulneráveis quando uma relação em que o fomos acaba. Também percebi isso mais tarde. Recuperar a vulnerabilidade é assustador depois de o termos feito com alguém que se vai embora com tudo o que partilhámos. Quando pensei que nunca mais na vida conseguiria ser vulnerável assim, foi quando percebi que tinha que o ser ainda mais e o quão central isso realmente é. Percebi também que para mim só haveria uma forma de curar o coração partido e essa forma era… ser vulnerável outra vez. Mas, com uma grande diferença. Esta vulnerabilidade tinha que ser acompanhada de cuidado comigo e de auto-preservação. Percebi então que tinha estado anos a usar de uma vulnerabilidade incompleta, que me colocava em situações de fragilidade, em que eu dava tudo e outros nada, em que eu tentava sempre e outros não, em que eu estava em situações de desiquilíbrio de poder e isso me expunha ainda mais, em espaços não seguros e com pessoas que não estavam a guiar-se pela sua própria vulnerabilidade.

Há uma linha entre ser vulnerável e manter-nos numa situação em que somos alvo de agressão e abuso. Vulnerabilidade não é abrir-nos a quem nos violenta. Num contexto de relações assim, dar uma nova chance a alguém, reconstruir as pontes partidas, tentar de novo, pode ser a forma como voltamos ao contexto de abuso. Isso viola a nossa vulnerabilidade, além da nossa autonomia.

A linha é o cuidado connosco, é o nosso sentido de auto-preservação. Não pode haver vulnerabilidade – pessoal, política, activista – sem auto-preservação. É okay decidirmos com quem queremos e podemos ser vulneráveis e com quem não. É okay deixarmos de o ser com alguém porque algo mudou. Abrir o espaço da vulnerabilidade não tem só a ver com falar de sentimentos. Tem a ver com estar disponível para lidar com as consequências da nossa própria honestidade. Não basta sermos honestas. Do outro lado da nossa honestidade estão outras pessoas e sermos vulneráveis implica sabermos que há sempre essa parte. Implica responsabilidade por mim e por ti e por nós. Implica estar disponível para lidar com a vulnerabilidade da outra pessoa e saber dizer quando não estamos – porque auto-preservação. E por isso é importante saber quando não ser vulnerável – e isso eu ainda não sei, estou a aprender. Cuidar de nós também não é algo simples, é um processo que temos que ir fazendo e também nisso esta sociedade não nos ajuda, porque confunde cuidado com indulgência e confunde tudo isso com felicidade pré-formatada que serve a toda a gente.

Só depois disto conseguimos, acho, abrir espaço para sermos estúpidas, cometermos erros e sermos ridículas. A vulnerabilidade é aquele espaço também onde acontecem coisas estranhas como perguntar a alguém se a podemos beijar antes de o fazermos e enfrentar toda a estranheza – sem guião, sem buffer de segurança – que vem com isso. Enfrentar a weirdness desse momento, a possibilidade de haver um não do outro lado e sabermos isso, e toda a falta de jeito que temos para estas coisas do consentimento. A vulnerabilidade abre espaço para todas as conversas que temos antes de fazermos seja o que for, para revelarmos parvoíces que sonhamos, fantasias que temos e para nos sentirmos envergonhadas, tímidas ou sem jeito. Abre espaço para sermos nós e vermos as outras pessoas. Esta vulnerabilidade, feita com base no cuidado connosco e no respeito dos nossos limites, é coragem.

Caring for myself is not self-indulgence, it is self-preservation, and that is an act of political warfare.” – Audre Lorde

Dance me to your beauty with a burning violin
Dance me through the panic till I’m gathered safely in
Touch me with your naked hand or touch me with your glove
Dance me to the end of love
Leonard Cohen

Outras leituras sobre vulnerabilidade/cuidado de si:

Selfcare as Warfare

Self-Care as Revolutionary

Vulnerability as a Key to Feminism

Toda as imagens são da autoria da artista Lora Mathis. Conheçam o trabalho desta artista sobre radical softness no Instagram @lora.mathis.

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a arte de falhar no amor

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Hoje encontrei um cabelo teu numa almofada. Comprido, encaracolado, não é meu. Reconheço-o. Sei que é teu. Ao contrário de ti, ficou aqui. Deitei-o fora, para o lixo. Antes, ainda fiquei algum tempo, a mão fechada, o cabelo encaracolado a brilhar com os reflexos que vêm da janela. Já não voltas. Tenho o teu cabelo aqui, na cama onde dormiste tantas vezes, mas tu já não voltas. Largo o cabelo no lixo, não como se te deitasse ao lixo, não. Só largo, deixo cair o que sei que já não posso segurar, despeço-me outra vez e de novo penso como seria poder fazer isso com todas as memórias que ficam e que me assombram.

Não podemos dizer adeus às pessoas assim. Não há uma maneira de dizer adeus quando as pessoas ficam em tudo o que tocam, quando acabam a fazer parte de quem somos e do que vivemos. Até um cabelo, encaracolado, pode magoar. Um cheiro. Uma palavra que evoca outras. Todos os lugares por onde passámos, alguns onde não posso mais voltar. A Elizabeth Bishop dizia, depois de perder um amor da sua vida, a Alice Methfessel: “the art of losing isn’t hard to master”, mas percebemos que é bem o oposto disto. Um desastre, diz depois. Ou vários. Uma perda não se apreende só de uma vez. Pronto, foi-se, já está. Não.

Todos os dias perdemos mais um bocadinho. Uma ausência que fica, um gesto que se lembra e nos desfaz, uma voz que não está mais ali, um lugar onde já não vamos, um plano que se foi. Ou coisas mais pequenas ainda. As linhas no canto de uma boca, que só se formam com algumas expressões, que só é possível notar quando ficamos muito tempo a olhar para alguém, linhas suaves mas tão marcantes, que se tornam parte do que faz um rosto único. Ali estão elas, num meio sorriso passageiro, ali estão, oh, já se foram. Depois o rosto fica sério, as linhas quase desaparecem mas nós, nós que olhámos tanto, tanto tempo, para aquele rosto que amamos, nós sabemos o local exacto onde essas linhas desapareceram e onde vão aparecer outra vez e esperamos. Esperamos para as ver de novo e pensar: isto. Isto é parte do que te torna única. Estas linhas, quase invisíveis mas marcantes, também estas tive que aprender a perder. E algo assim não se perde num dia, ou dois, ou muitos seguidos. Algo assim vai-se perdendo, dia após dia. E de repente alguém, anónima, sorri e tu vês umas linhas semelhantes, não iguais, mas semelhantes, e tudo volta. Não são aquelas que queres ver, tens só saudades. Houve uma altura em podias beijar essas pequenas marcas na pele e sentir-te a pessoa mais feliz do mundo.

O que é que nos faz amar alguém? Às vezes podem ser linhas num rosto. Às vezes são essas linhas, ínfimas, marcantes e tudo o resto que vem com elas. Como é que vamos perdendo, todos os dias mais um pouco, tudo aquilo que nos fez amar alguém? O riso, aquela forma de rir que mais ninguém tem. As palavras certas no momento certo. O corpo que se encaixa no nosso como se sempre tivesse estado ali. Tudo isto são coisas pequenas. Pormenores. Todos os dias devo perder mais um destes pormenores. Devo esquecer-me, aceitar. Mas isto é só o princípio. Aquelas coisas que nos fazem amar alguém não são suficientes para nos fazer ficar.

Passaste dias a fazer-me uma luz para eu acender durante a noite. Fizeste-a com as tuas mãos (também estas devo perder), formas mágicas para me acompanhar e aconchegar. Nunca mais a acendi. Está no meu quarto e agora não sei o que fazer com ela, assim como com tudo o resto que fizeste para mim, ou com tudo o que fiz para ti. Também essas coisas devem ser perdidas, mas não há meio de o fazer.

O amor não é incondicional. Isso é uma treta que vem com o resto do manual que nos fazem engolir. Amor incondicional não existe porque o amor não é um sentimento, é uma escolha. O amor tem mil condições de possibilidade e mil condições de impossibilidade. E amar, por si só, não chega. Podemos fazer muitas coisas em nome do amor. Podemos até esquecer-nos de nós mesmas e de nos amarmos a nós, por estarmos tão ocupadas a amar outra pessoa.  Recebermos amor de volta ajuda-nos a manter a ilusão de que temos tudo: eu amo-a, ela ama-me, havemos de sobreviver porque temos este amor maior que tudo. O amor não é maior que tudo, não é maior que as suas condições de possibilidade, não é maior do que as capacidades das pessoas que amam, não é maior que as dificuldades que lhe surgem.

Sim, é uma grande força que move montanhas, mas só é tão forte quanto as pessoas que amam, e às vezes nem isso chega, não importa o quão fortes sejamos. Pode mover-nos contra o mundo, de mãos dadas, contra as probabilidade, contra os silêncios. A nós moveu-nos contra muitas improbabilidades: a distância, os silêncios a que fomos obrigadas, a mentira a que nos submeteram. Tudo isso foi vencido com amor. Esse amor provava que tínhamos sido mais fortes: mais fortes que o abuso, mais fortes que o mal, mais fortes que a distância. Mesmo sem nos vermos, esse amor tinha sobrevivido. Que maior prova existiria de que esse amor nos levaria a todo o lado? O amor tornar-nos-ia invencíveis. Já tínhamos sobrevivido a tanto. Mas o amor não salva ninguém. Não te podia salvar a ti. Nem todo o meu amor te podia salvar e eu passei todo o tempo a achar que sim, sem perceber que me estava a perder também, todos os dias mais um pouco, achando que te salvava. O amor não salva ninguém. É fácil acharmos que o amor pode mudar tudo nas nossas vidas. É esse o discurso romântico. Quando encontramos amor tudo é possível. Mas o combustível deste amor, visto assim, acaba-se, consome-se. Durante uns tempos pensamos que mudámos tudo. Mas o amor não é um penso em cima de todas as nossas feridas. E também não é sempre bom.

Há pessoas que decidem ficar juntas porque ainda se amam. Mesmo que nada mais esteja a funcionar, mesmo que esse amor as esteja a destruir, pelo menos amam-se, não é? Mesmo que esse amor seja doente, mesmo que esse amor seja um hábito, um conforto, um vício ou uma forma de não estarem sós, ou uma forma de não terem que enfrentar a vida. E ficam. Anos. Vidas. Está tudo bem desde que estejamos com alguém, numa relação romântica, não é? Pior mesmo é estar sozinha. Antes haja amor, algum, ou uma aparência de amor. Mesmo que nos arraste para o fundo. Mesmo que dê cabo de nós.

Escolher o amor de outra pessoa é sempre mais importante. Mergulhar de cabeça, arriscar tudo, mudar a nossa vida toda por outra pessoa – que maior prova de amor existe? Ter a vida virada do avesso por amor. Escolher o amor contra todas as probabilidades, mesmo e especialmente, se toda a gente nos diz que estamos a fazer mal ou que não faz sentido. Mesmo, especialmente, se for difícil. Quanto mais difícil de concretizar maior esse amor se prova, maior o desafio. Os outros não entendem. Aquela pessoa vale a pena, vale tudo isso e mais. Vale deitar tudo fora e virar o mundo ao contrário. Vale tudo por amor. Vale as nossas vidas porque uma vida sem amor não é nada. E por isso é que depois do amor não somos nada. Se o amor se vai, não somos ninguém. Somos doentes. Precisamos de voltar ao amor, antes que as nossas vidas percam o sentido. Mesmo que o preço a pagar por esse amor seja alto, não importa, porque ninguém o vê. Não vale tudo por amor. O amor não vale a nossa sanidade, a nossa autonomia, o nosso auto-respeito. Podemos viver amores que nos tiram mais que dão. Que nos fazem menos. Que nos restringem. Amar não basta para dizer que está tudo bem. Amar não basta para manter uma relação.

Segue o que sentes, segue o teu coração, porque o teu coração sabe sempre o que quer, dizem. O coração não sabe nada. Não amamos com o coração, amamos com tudo o que somos, com todas as circunstâncias, com tudo à nossa volta. Não amamos numa bolha, em que nada mais importa, amamos com tudo o que vivemos e com tudo o que nos acontece. O coração, no meio disto, o que é? O que faz? O coração é uma construção. O coração não quer nada, somos nós que fazemos escolhas. É fácil atribuir tudo à força mágica, transformadora, alucinante do amor. É mais difícil, talvez, se percebermos que não há nada mágico no amor, nem nada que esteja além de nós. Somos nós que amamos, somos nós que fazemos, somos nós que escolhemos ficar, tentar, ir, desistir. Somos nós a cada momento, apenas com a magia que vem das nossas acções e nada mais. É mais difícil, talvez, se percebermos que o amor não é tanto aquilo que dizemos, prometemos, juramos, mas sim aquilo que fazemos dia após dia. É mais difícil, talvez, se percebermos que este amor-escolha, amor-tentativa-e-erro, amor-autonomia, amor-partilha, amor-próprio não nos transcende, nem nos ultrapassa, é feito por nós e custa. É mais difícil, talvez, se percebermos que não tem que valer tudo por amor, que nem tudo o que inclui amor é melhor e que o amor não vai resolver tudo. Se falhar no amor não implicar que falhamos em tudo na vida, se falhar no amor não implicar nunca mais acreditarmos em ninguém, se soubermos que existem coisas que valem mais do que este amor, talvez seja possível curarmos. Talvez até seja melhor às vezes falharmos no amor. Falharmos uma e outra vez e continuarmos a falhar sempre que for preciso. Talvez aí não seja preciso perder tanto, talvez aí seja possível ficar com o que fica e continuar a viver e até continuar a amar.

—Even losing you (the joking voice, a gesture

I love) I shan’t have lied. It’s evident

the art of losing’s not too hard to master

though it may look like (Write it!) like disaster.

Elizabeth Bishop, “One Art” – The Complete Poems 1926-1979. Copyright © 1979, 1983 by Alice Helen Methfessel.

Texto inspirado pela leitura de Love Is Not Enough

Imagem via Tumblr