Monthly Archives: Junho 2017

a marcha das emoções

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O dia da Marcha do Orgulho LGBT não é um dia feliz para mim. É um dos dias mais importantes do ano, mas há muito tempo que não é um dia feliz.

Talvez a primeira marcha a que fui, antes de ser activista, antes de saber sequer o que são associações, colectivos, antes mesmo de saber o que isto tudo implicava, talvez essa, há 8 anos atrás, tenha sido uma marcha feliz. Fui com a minha melhor amiga, sempre de mão dada, vestida de roxo, cheia de fitas de cores nos cabelos. Sonhava com um grande amor, só via liberdade em todo o lado, não tinha medo das palavras, agarrava-me a todas, sorria o tempo todo, não sabia bem o que era a ilga, menos ainda que havia mais que a ilga ou que isso importava sequer. Realmente a ignorância às vezes é mesmo bênção.

Em 8 anos muita coisa mudou. O trabalho activista foi um choque de realidade – nada como meter as mãos na massa para saber mesmo o quanto isto dói e cobra de nós (dos nossos corpos, das nossas emoções, do nosso tempo, das nossas saúdes). É tudo tão lindo visto de fora. O arco-íris até parece mesmo ter o pote de ouro no fim, mas quando lá chegas já nem forças tens para o pote. Mas este não é um texto coerente ou lógico de enumeração de todos os problemas graves da nossa comunidade LGBTQIA e do nosso movimento doente. Também não é um texto racional sobre a quase ausência de prática e ética feminista dentro desta comunidade, ou sobre a quase ausência sistémica de empatia, ou sobre a constante misoginia ou sobre a divisão desigual de trabalho activista, ou sobre a sobrecarga desse mesmo trabalho recair invariavelmente sobre mulheres, ou mesmo sobre a sempre presente sub-representação de mulheres queer nos espaços, marchas e festas, ou sobre a permanência de comportamentos e pessoas abusivas que são protegidas dentro da comunidade. Isso fica para quando eu conseguir pensar, porque agora eu só consigo mesmo é sentir.

Esta foi para mim a marcha das emoções. Difícil seria que fosse outra coisa. Pela primeira vez em 8 anos fui marchar sem estar em nenhuma relação amorosa. Mas ali estão quase todas as pessoas que fizeram ou fazem parte da minha vida emocional. Ali, num mesmo local, num mesmo dia, numa mesma hora, estão todas lá. Toda e qualquer pessoa que significa algo para mim está ali, ou está presente pela sua ausência significativa. É chegar e ter vontade de fugir imediatamente, de voltar à segurança e conforto do meu universo da escrita, em que o coração me bate dentro do peito e eu posso chorar e rir e ninguém está a ver. Ali há demasiados olhos. Demasiada coisa a acontecer. Acabo de chegar e quero mesmo ir-me embora, embora aquele seja o dia mais importante do ano para mim. Fui sozinha, rodeada de amigues, amigues, amigues por todos os lados, as pessoas mais importantes da minha vida ali. E mesmo assim há coisas que, mesmo rodeada de amigues, tenho de passar sozinha. Não há como as transcrever para fora de mim, não há como as transmitir, há um indizível que vivo ali sozinha, em cada segundo, em cada interacção. Chego. Levo dois segundos a encontrar caras conhecidas numa multidão. Estranho como no início não conhecia ninguém e como de repente pareço conhecer demasiadas pessoas.

E na marcha há sorrisos e abraços e passas por cada uma, de passagem, quase não absorves nenhuma – demasiadas, tão bom, amigues, mas tão demasiado intenso-, fica só a sensação geral de existirem tantas pessoas que significam algo para ti e que algumas só as vês ali, uma vez por ano. Não falas a todas, não consegues. Acenas. Algumas tens demasiada vergonha para dizer olá, contas com a multidão para te esconder. Algumas tens mesmo, mesmo vontade de dizer olá e não dizes, não consegues. Algumas… algumas tens uma paixoneta por elas e por isso olá é a última coisa que consegues dizer (aliás, morrias se te dissessem olá embora obviamente queiras isso muito). Não dizes nada e se calhar logo as vês para o ano, ou nunca. Algumas outras preferias nunca mais na vida teres que as ver. Não tens percepção do tempo. A marcha acaba de começar e de repente já acabou e tu lembras-te de um tempo em que não era assim, em que havia a sequência de vários momentos e agora de repente só tens o princípio e o fim e perguntas-te se será da idade, se estás a ficar maluca ou se é simplesmente demais.

Sabes que aquele dia te parecia ao início cheio de possibilidades e quando termina só te sentes vazia, passa tudo demasiado rápido, é tudo demasiado efémero, mesmo que não estejas a organizar, mesmo que estejas com amigues, mesmo que vás com a tua bandeira. E a tua bandeira desta vez é a lésbica e nunca a viste numa marcha e ninguém a vai reconhecer, ninguém sabe que bandeira é aquela (talvez duas ou três pessoas saibam), mas também ninguém te pergunta – o que é mais ou menos como tu, só que tu às vezes nem és vista. Ou ouvida. Pela primeira vez vais com aquela bandeira porque finalmente te apercebeste que a tua identidade acabou a ficar por baixo de outras, que andaste imenso tempo a carregar bandeiras de tudo e mais alguma coisa e achaste que a bandeira lésbica podia ficar para último. Desta vez levaste a bandeira lésbica, entregaste a bandeira poly a outra pessoa porque a ti já não te aquece nem arrefece, tu só queres é descobrir quem és depois destes anos todos em que a tua cara parecia um poster. E estás farta. Mas nada disso se vê enquanto tentas ir em modo de passeio pela marcha, ou pelo menos era isso que disseste que ias fazer mas de repente dás por ti a nem saber fazer isso (como é que é andar despreocupadamente nesta marcha? Esqueci-me). Em vez disso andas para trás e para a frente (mas tu não estás na organização, devias estar a passear, a sorrir, a posar para fotos, não é isso que as pessoas fazem? mas não), em vez disso procuras os rostos de amigues que estão a organizar e vês olhos angustiados, cansados, para cima para baixo, vais vendo como estão, vais à frente da marcha, vês se as pessoas estão bem. Nunca vais para a parte de trás da marcha porque ali a partir do meio não queres saber. Mas caramba, tu devias estar a passear, a ver as bandeiras de outros. Voltas ao rio de marchantes. Tentas integrar-te. Tentas fazer isso mais um pouco, sentes-te meio perdida. Não sabes o que fazer às mãos. De vez em quando uma pessoa conhecida, um sorriso, um abraço forte. Que bom. Que saudades. Bolas, gosto mesmo de ti e acabei de me lembrar disso. Estás bem?  Sim. Estamos todas bem. Eu também estou bem, não estou? Não sei. Então e o poly? Não sei. Nem sou se sou isso. Não quero saber. A minha família está destruída. Tem piada, não tem? Afinal, toda a gente falha. Já viram? Bom, não viram, nós não falamos disso. Mas pronto, aqui está. Seja como for continuo.

É a marcha das emoções à flor da pele, dos rostos que tens de ver mas se calhar preferias não, dos que queres ver mas se calhar era melhor para ti não veres porque depois tens vontade de chorar. É a marcha em que vês a exaustão, a injustiça, em que sabes que uns vão pisar sempre nos mesmos, que esses mesmos – mesmas, para que é que estamos com coisas? Tantas vezes, demasiadas vezes, são mulheres – vão lá estar sobrecarregadas. Que isso não muda com os anos, só piora. E tu queres pensar em liberdade, em alegria de ser e desconstruir, na enorme diversidade que vês a tua volta e, caramba, nunca viste tanta bandeira diferente, algumas nem conheces e perguntas que bandeira é essa e bolas, isso é bom. Estamos enormes, há três anos não havia metade destas bandeiras todas, estamos e somos cada vez mais tanto, expandimos, expandimos e queer já nem é uma palavra esquisita. E tu bem queres que isso seja mais importante – mais importante do que se vai passando dentro de ti – mas não consegues. Porque toda a tua vida emocional está ali, porque as coisas não são simples bonitas e bem cortadas e cheias de cores, limpinhas e decentes como uma faixa da ilga. As vezes são sujas e feias e confusas e cheias de lágrimas. Às vezes tu querias mesmo que o amor vencesse tudo mas tu sabes que isso é uma grande treta porque o amor não vence nada sozinho e não se pode viver de amor.

E pronto, de repente a marcha acabou, estás a ouvir os discursos, não sabes o que fizeste durante a marcha, nem quem viste, sentes que não deste atenção nenhuma a quem foi contigo e que se passou tudo dentro da tua cabeça e sentes-te culpada por isso, porque querias estar lá, no momento, com aquelas pessoas. Pelo meio viste pessoas de quem gostas quase a chorar, sabes que algumas foram chorar para casa, outras desabafar porque isto lhes tira demasiado, porque trabalham um ano inteiro quase sozinhas e no fim se sentem perfeitas idiotas e tu ficas sem saber o que fazer porque também te sentes uma idiota e em cima disso ainda te sentes estranha porque ao menos tu ainda vais jantar e vais à festa.

Estás nervosa com a festa, porque tu não percebes nada de festas, não sabes bem como é suposto divertires-te num sítio onde não consegues ouvir sequer uma pessoa colada a ti, não sabes o que é suposto fazeres, mas é suposto ser divertido. É suposto. Tens quase 30 anos e continuas sem saber como é suposto fazer-se isto de conhecer pessoas, como é suposto estar-se numa festa – porque nunca soubeste-, mesmo assim vais e nem sabes bem porquê, vais porque é a festa da marcha, porque tens ideia de que algum dia vais saber estar numa festa. Bom, não sabes. Estás lá e no minuto em que chegas precisas de contrariar o impulso imediato de ir embora. Aliás, tu ainda nem passaste a porta e já te queres ir embora. Em vez disso ficas lá e tentas perceber como é suposto estar ali, olhas para as pessoas e elas estão felizes e bêbadas e a dançar e tu não consegues dançar assim, imaginas sempre que sim, escreves sobre isso e adoravas ser essa pessoa que dança assim mas não és. Aquelas pessoas ali conseguem dançar, conhecer-se, falar, comer-se, sei lá, tu não consegues nada, tu consegues ir buscar uma bebida e play it cool até alguém ta entornar totalmente no chão com um desculpa mal amanhado. Olhas para a tua cidra no chão e pensas que ali vai o resto dos 3€ de felicidade que tinhas naquela noite e bom, sais dali. Cá fora não está muito melhor porque é demasiado estranho estares ali sozinha, as pessoas não estão sozinhas em festas destas, estão com as namoradas – mas tu não tens disso agora – ou com grupos – mas tu não consegues estar em grupos agora – e tu de repente estás ali só a tentar respirar, a tentar não ver o que te faz mal, a tentar escolher bem para onde olhas para não desatares a chorar porque – sim – a tua vida emocional continua muito ali e infelizmente nesta comunidade onde toda a gente se conhece, toda a gente acaba ligada e parece sempre que estás a ver alguma pessoa que te lembra uma outra pessoa ou memória ou… é um poço, não lhe vês o fundo. No fim é difícil manter a vontade de chorar longe, mas lá fazes isso, estás com uma amiga, ela é especial para ti, ela sabe que tu não estás a aguentar muito bem, às tantas vamos as duas embora, pronto, já está missão cumprida e merda esqueci-me de dar o contributo da marcha de tanto estar metida na minha cabeça, mas ok, dou depois.

No dia seguinte vais trabalhar cedo. Não bebeste demais e se calhar até gostavas de o ter feito mas é só mais uma das coisas que não sabes como fazer. Dormiste três horas. Não te sentes muito bem, mas continuas a fazer tudo como é suposto. Vais trabalhar. O rescaldo do dia mais importante do ano apanha-te a caminho, no metro, e vai-te apanhando nos dias seguintes. Estás cansada. À tua volta há muita gente cansada. E tu querias que fosse um dia feliz mas não sabes como fazer isso.

Edição: Não é verdade que nunca vi uma bandeira lésbica – nunca vi a que levei, sim, lilás com um triângulo preto. Existem várias. Diferentes. De diferentes identidades lésbicas. Durante anos a única presente foi a do Clube Safo, a única associação portuguesa de defesa dos direitos das lésbicas e que cessou existência em 2012/13, depois de décadas a tentar manter-se à tona. Nos anos que fiz activismo assisti a muitos grupos de lésbicas e bis a tentarem formar-se e existir, muitos deles deixando de existir rapidamente ou não chegando a ver a luz do dia. Mantém-se hoje, ainda vivas e com voz, as ActiBistas e também o mais recente e activo colectivo de lésbicas e bissexuais negras Zanele Muholi, que este ano convocaram uma concentração de lésbicas e bis antes da Marcha.

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Gosto de ir à feira do livro sozinha

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Gosto de ir à feira do livro sozinha.

Talvez seja apenas mais uma das muitas coisas que tenho lentamente vindo a descobrir que gosto de fazer sozinha.

Vou no meu tempo, paro no meu tempo, fico no meu tempo, pego num livro, volto para trás, salto bancas, ando em ziguezague, fico meia hora numa só porque sim, ou passo os olhos só porque sim.

Já fui à feira do livro de muitas formas. Primeiro em família, mais de corrido porque só íamos um dia ou noite, o dinheiro não era muito e a minha lista tinha que ir bem definida, muitas cedências pelo caminho e tentar agradar a todos; depois mais crescida com amigas, num ritmo mais de passeio, sempre com longas pausas pelo caminho, gente perdida, telefonemas para reencontro, conversas começadas, interrompidas, esquecidas, repetidas, para a frente, para trás; depois com namorados e namoradas, de mãos dadas, mais cedências e partilhas, olha aqui este que te interessa, olhar mais para livros que interessam ao outro do que a mim, comprar prendas só porque sim e depois reparar que afinal não comprei nenhum para mim (sim, tendência para me esquecer de mim); depois (ao mesmo tempo) mais em grupo com diferentes interesses num pára-arranca desmesurado ou sem sentido, numa corrida às grandes, às específicas; outras vezes de corrida à hora dos descontos, hora perdida passada na fila. Até já um primeiro encontro tive na feira do livro. Foi um encontro único, não vi nenhum livro, mas valeu a pena por ser na feira. Entretanto comecei a trabalhar no meio editorial e a feira passou a ser isto e muitas outras coisas. Deixou de ser possível olhar a feira com olhos só inocentes, fora da lógica de um mercado pequeno e competitivo, redundante, e então a feira passou a ser também reparar em espaços, tamanhos, destaques, eventos, marketings diversos. Em nenhum momento temi que isso matasse a minha outra feira, aquela dos livros, dos sonhos, do querer, do me perder, do esquecer as horas. Porque os dois olhares coexistem e o meu trabalho não matou o amor, não matou o cheiro do livro, não matou nada, se é possível aumentou ainda mais, focou na lente e agora o olhar é exigente, é questionador, eu agora já não quero só uma história, eu quero que o livro me mude, me pergunte, me faça andar, morrer. Não quero só que me entretenha, mas preciso que me entretenha, preciso que o tempo passe, mas não pode passar sem deixar marca. Mas bem, não era nada disto que eu queria dizer, eu queria mesmo dizer que agora, agora vou à feira sozinha.

É muito bom partilhar o amor pelos livros, muito bom ir com amigos e falar deste e daquele livro, partilhar amores comuns por autores e histórias. Mas há uma liberdade imensa em poder fazer isto sozinha, no meu tempo, as minhas regras ou ímpetos, ou sem regra alguma que não seja a da minha vontade. E hoje essa liberdade para mim vale cada vez mais, esse tempo de não falar com ninguém, de parar e descobrir um livro, de nem sequer pegar no telemóvel, de não estar contactável, de ir ao encontro dos livros que já tenho só para olhar para eles de novo e lhes acariciar a capa, recordar algo deles, ou ir em busca daquele que já tenho na lista, ou simplesmente decidir que agora só leio mulheres e só compro livros de autoras portuguesas, de me deixar ir por impulso atrás de um livro porque a pessoa ao meu lado na banca comenta com a amiga “esta autora é incrível, tem uma escrita maravilhosa” enquanto aponta para um livro de uma escritora portuguesa e eu decidir ali que o levo porque sim, mesmo sabendo que não tenho dinheiro nem espaço para livros, que todos os meus livros estão em sacos no corredor da casa para onde me​ mudei há um mês porque não tenho estantes para eles e mesmo assim levo.

E se não fosse o dinheiro, sempre essa contenção aflitiva na mente, esta liberdade seria louca, percorrer a feira sem regra, sem preocupação com o dinheiro, não ter que contar mentalmente o que já gastei, não ter que fazer orçamento ou controlar a compulsão de coleccionar livros a maior velocidade do que aquela a que alguma vez vou ler, sabendo que terei sempre mais livros que vou querer do que capacidade para os ler (ou tempo de vida), sabendo que comprei o Americanah da Chimamanda na última feira – quase mil páginas, a delícia, os livros grandes, longos, fazem-me salivar e tenho três em casa por ler, porquê? Não os li ainda e mesmo assim olho para outro e perco a razão, a coerência – dizia eu que da Chimamanda não ainda nem uma página e se eu fosse uma pessoa razoável não comprava mais nenhum livro até ler todos os que tenho – e todos os anos eu prometo a mim mesma que é isto que vou fazer e todos os anos minto, mesmo sabendo que esta vontade é insaciável.

Mas há algo de tão incrível, de tão confortável na ideia de que todos esses livros estão ali à minha espera, que se eu quiser vou criar tempo de silêncio para os ler e que ler é essa incrível actividade que eu sempre fiz sozinha sem nunca me sentir sozinha e que na verdade muitos de nós cheios de terror de estarmos sozinhos a fazemos dessa forma, e assim me lembro o quanto me descubro no facto de estar sozinha.

É o que me permite ir a feira sozinha, fazer o caminho sozinha, com música nos ouvidos, chegar a casa sozinha às horas que me apetece, não ter que me explicar, não dar satisfações, não ter sequer que pensar em mais ninguém, onde estou, para onde vou, deitar-me e escrever este texto sozinha. Sozinha, sozinha. Sozinha é o que me fez voltar a escrita. Sozinha foi o que me fez voltar à ficção, fora deste blogue, fora das reflexões públicas, fora do dar a cara, do ser activista, do estar presente, fora fora fora. Já vivi, agora escrevo e eu sempre vivi bem a escrever. Não esperem mais de mim.

Vou voltar a escrever aqui, sim. Vou voltar porque há coisas que quero escrever, porque os fins também precisam de ser falados e ditos, porque os silêncios também dizem alguma coisa, porque escrever me reconstrói e eu não posso ceder ao medo de dizer que mudei, que sou outra, que não faz mal, que tudo o que eu era se calhar já não sou e que o mais importante do que eu fui se calhar é o que sou.

Agora tenho um quarto só meu (Virginia, obrigada, fazes sempre sentido) e tenho a solidão indispensável à criação e hoje sinto-me cheia, cheia, cheia de mim, na minha companhia, e isso pela primeira vez não é mau. É expansão, é recomeço. Sozinha é o princípio.