Monthly Archives: Março 2018

Loneliness is a thing.

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I’m not in a good place yet,

No matter how well put together

I seem to you.

Seams, yes,

I’m not seamless. Unseamless.

I cry in therapy –

Not as much as before.

The things I’m touching

Are darker yet

Deeper

For tears.

Then I get my shit together and go about my life the rest of the week. I read, I write, I pet the cat, take care of the house, do nothing.

I feel mostly lonely.

Romantic love is an idea –

deception,

conception

I failed at in everyway I could/knew how.

 

I write with fear all the time, though I tell everyone to write freely, no attachments. I, for one, am attached to everyone and everything and never let go. I carry them all, love them still, doubt I’ll ever love me.

I fight over lost things, things of consequence, dead things. Most lively they are, for they haunt, rip the seams.

I gather in a heap again, turn the phrase, press myself between pages. Those people speak with my own language. It’s the biggest joy, the abyss, cutting knife, burst of something quite good.

 

In my everyday, I am other.

Loneliness is a thing.

I make my face up

Feel pretty.

Pretty is a thing.

I miss my ex-girlfriend still.

She was good and I was good and together we are nothing good.

We are not a thing.

I miss touch.

Another hand, the other’s hand, not mine.

Touch is a thing.

But I don’t miss myself.

That’s also a thing.

I have pleasure

Even, mostly, without you.

I have hurt

Even, mostly, without me.

I make soup

Then eat junk-food

I go to work. I don’t write everyday. I talk to people I never see. They know me and I know them and we know we’re friends. Online is a kind of life for those with kind hearts. I have all conversations that matter in deep silence. Everything else is so loud.

 

 

Another thing is this:

I don’t want to fall in love

Refusal, that’s a thing.

 

I don’t want to love you

You’re a man, a man, a man

You know nothing

So why.

 

A man is also a thing.

 

Picture: www.pinterest.pt/pin/802344489837448280/

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Quero ser uma egoísta de primeira

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E tu também podes ser.

Mas espera lá… isso de ser egoísta é mau, certo? Bem, se fores homem é a lei da natureza e podes relaxar.  Se fores mulher tem estatuto de crime.

É um crime para o qual a nossa atenção é chamada logo desde pequenas. 3/4 anos e já somos alertadas para a iminência do delito. Ó Inês, partilha as tuas coisas, empresta o teu brinquedo, presta atenção ao teu irmão. Ó Inês ajuda a mãe, ajuda o pai, escuta, agora espera, anda cá, interrompe já isso. Nós barafustamos, mas vamos. Depois já não barafustamos e somos nós a voz que diz: Ó Inês, ouve a tua amiga, ajuda aquela, pensa neste, podias fazer mais, és boa amiga, pensa primeiro nele, vai lá que ele chamou, ele pediu, ele precisa, ele, ela, ele, ele, ele, eles, os outros, os pobres, o mundo inteiro. Ufa, já posso ir dormir?

Já estão cansadas? Eu também. Mulheres no mundo inteiro estão cansadas deste triste fado, mas continuamos todas, juntas, a dizer: mais um esforço, mais um dia. Vale tudo, ser egoísta é que não. Uma mulher egoísta é a pior coisa do mundo, tão má ou pior que uma má mãe. Deus nos livre e guarde.

Agora que feminismo é uma palavra mais ou menos má e não o bicho-papão, algumas de nós aventuram-se e dizem: não é egoísmo se eu cuidar de mim. É mais assim:

(ler em tom de voz muito baixo)

não é egoísmo se eu cuidar primeiro de mim… certo? Certo? Certo? Está aí alguém? Ah obrigada, ufa, um like no meu post sobre gostar de mim, ainda bem, não estou louca. Não sou egoísta. Pois não?

Eis o nosso mantra:

não é egoísmo cuidar da minha saúde primeiro

não é egoísmo pensar nos meus sentimentos primeiros

não é egoísmo não estar sempre lá para toda a gente

 

E nós queremos mesmo acreditar nisto. A última coisa que queremos na vida é sermos egoístas com quem amamos, não é? O que mais queremos é estar lá para quem está para nós, nem que mais não seja porque foi isso que aprendemos todos os dias da nossa vida, foi com isso que levámos na cabeça desde que sabemos andar, foi dentro deste enquadramento que formámos as nossas personalidades e que a sociedade nos disse: sim, este é o teu papel adequado. E nós rejubilámos. Somos boas filhas, esposas, amigas, mães, tias, primas, irmãs e demais definições de nós em relação a outros, sempre em relação a outros, porque se, deus nos ajude, retirarmos os outros da equação, o que sobra, o que somos nós? Vocês sabem a resposta, nem preciso de dizer. Todas as mulheres sabem, mesmo as que se esqueceram e as que acham que está tudo bem com este estado fodido de coisas. E é mesmo assim, com f, e bem literário e redondo, para ficar forte na frase. Fodido estado de coisas – se fores mulher, claro.

Mas agora faço outra pergunta e para esta vou dar algumas respostas minhas.

E se formos egoístas?

Brada aos céus, mal ao mundo, inferno na terra, derrocada.

O céu vai cair.

O céu vai cair porque são as mulheres que o seguram por cima dos seus ombros.

Pois bem, deixemos a abóbada estelar cair, que é como quem diz, deixemos esses gajos de merda irem-se lixar sozinhos e serem eles a tratar da própria merda que fazem. Bem literário. Somos mãezinhas do mundo inteiro? Larguem as crias todas. Especialmente as que não são vossas. E as nossas amigas? E todas as pessoas que nos pedem aconselhos, ajuda, apoio emocional? E a terapia que oferecemos a todos os nossos amigos diariamente e os conselhos que damos ao desbarato e até fazemos descontos ao fim de semana e as horas todas que dedicamos a ajudar aquela amiga a perceber que está numa merda de uma relação, ou aquela outra a perceber que precisa de terapia, ou ainda aquela outra que desaparece meses e que precisa da nossa iniciativa e força e tudo e tudo e tudo? A sororidade é importante, sim. A nossa empatia é uma força poderosíssima que é inigualável no mundo inteiro e que é tão abundante entre nós mulheres. Nós, na maioria, não temos qualquer dificuldade em por-nos no lugar do outro. Nós temos é uma enorme dificuldade em sair do lugar do outro e em dar-nos um lugar a nós mesmas. Um lugar absoluto e central nas nossas vidas. Nós somos especialistas em fazer-nos personagens secundárias (caramba, algumas de nós somos só figurantes nas nossas vidas, depois de termos investido as horas todas que estamos acordadas a trabalhar e a tratar de outros – vejam o dia a dia de uma mãe que não seja rica, qualquer uma, a sério.)

Vamos a uma ideia super radical: nós precisamos de ser egoístas. Precisamos desesperadamente de sermos tal e qual os maiores egoístas que conhecemos, mas com uma vantagem. Podemos sempre activar a nossa empatia a qualquer momento, podemos sempre escolher os nossos momentos de estarmos presentes e disponíveis e voltarmos a não estar. Uma escolha inteiramente nossa. Com esse manancial de empatia ao nosso alcance, porque sempre o tivemos e para nós a questão é mais saber como o desligar de vez em quando, ou melhor ainda, como virar essa nossa empatia maravilhosa para nós mesmas. Sim, essa coisa que damos constantemente a toda a gente devíamos dar primeiro a nós, de forma total e absolutamente egoísta e quem não tem que se lixe. Pois é. O mundo precisa de um grande vai-te foder da parte das mulheres e nem mil movimentos #metoo nos vão dar isso se não começarmos a perceber que nós merecemos toda a empatia que damos.

Como se faz isso? Quando te apanhares exausta a tentar ajudar uma amiga pára e pensa: o que é que eu preciso neste momento? Talvez a tua resposta seja: preciso de um chá e de desaparecer numa manta durante uma hora. E sabes o que é que precisas de fazer nesse momento? Ir tomar o teu chá e desaparecer uma hora. E podes explicar isso numa frase à tua amiga. E ela, da próxima vez, pode precisar de te dizer o mesmo. E na mesma vão continuar amigas porque vão ter a capacidade de se compreenderem (e se ela não te compreender, já sabes: vai-te foder). Bonito e literário como a vida.

Pratiquem todos os dias serem egoístas. Eu só estou a conseguir aos poucos. É um treino. Estou a treinar-me no egoísmo, na doutrina do meu próprio ego. Com litros e litros de culpa. Há dias em que não consigo. Há dias em que não consigo dizer não e vou além do que aguento. Há dias em que digo, “agora vou dormir” mas na verdade só preciso de parar de falar e ir ler, ver um filme ou seja o que for. Há dias em que me sinto a pior pessoa do mundo por estar a ler enquanto o mundo de uma amiga está a desabar. Mas continuo. Às vezes eu preciso mesmo de só estar lá para mim. Temos o nosso bom-senso para nos ajudar nesses momentos. Nós sabemos, ou podemos tentar ensinar-nos a saber, quando somos mesmos necessárias e é uma questão de vida ou de morte e quando não somos; mas, mais que isto, também temos que saber quando é que é uma questão de vida ou de morte para nós. Porque muitas de nós estão a morrer e é morte por empatia. É morte por disponibilidade.

Vamos para de morrer. Vamos ser egoístas. Cada dia mais um bocadinho, mesmo com as vozes fantasmas que nos dizem: egoísta, egoísta.

EGOÍSTA EGOÍSTA, SIM, SOU. OBRIGADA.

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